Nesta edição, o II Encontro de Psicologia, Fenomenologia e Realidade Brasileira tem como proposta promover novamente um espaço de
debates, questionamentos e interlocuções sobre a relação da Fenomenologia com a
Psicologia. Nesse ano teremos em especial a interlocução com a Psicologia Cognitiva e as Neurociências, abordando a
questão da consciência e o problema mente/corpo. Além disso, o evento promoverá a
comemoração do centenário da obra “Ideias para uma Fenomenologia Pura e uma
Filosofia Fenomenológica” de Edmund Husserl.
Mantendo a temática principal e
os eixos temáticos que nortearam o Encontro de 2012 na UFTM – a fenomenologia, a
realidade brasileira e a presença da psicologia fenomenológica no Brasil – o
evento se amplia para novas e atuais possibilidades de discussão com a Psicologia Cognitiva, mantendo
a Fenomenologia e a Psicologia como referência fundamental. Neste sentido, a
problemática central que vai reunir estudos e pesquisas a serem apresentados será a
discussão sobre a consciência, mente e corpo; conceitos tão atuais, mas, ao
mesmo tempo, tão desafiadores devido a sua intensa complexidade. Para tal
empreendimento procurar-se-á apresentar como a Fenomenologia e a Psicologia
Cognitiva têm pesquisado e contribuído para o desenvolvimento da temática.
O tema desse evento parte do
problema exposto na famosa citação de J. Searle: “como podem cérebros ter
mentes?” Ainda, sendo essa uma enunciação que remete diretamente ao problema
mente/corpo, um problema de “intratável mistério”. No tocante as investigações
dos atuais do problema, pode-se dizer que são basicamente quatro os
conhecimentos que têm contribuído diretamente a questão dentro das ciências
cognitivas: as neurociências, a psicologia cognitiva, a filosofia da mente e a
fenomenologia. Cada uma delas com uma abordagem específica, uma metodologia e
uma ideologia, porém todas tentando “desvendar” o problema mente/corpo e o
problema mente/consciência.
Também é interessante notar que
foi a partir das contribuições de Merleau-Ponty que se formaram alguns grupos
de fenomenólogos nas ciências cognitivas. Esses grupos, poucos ainda, têm
tentado aproximar essas duas posições, mesmo que de maneira complexa e diversa,
uma vez que são bem diferentes. O intuito deles é permitir a confluência de
suas contribuições na ampliação do tema mente/corpo. A América do Norte (H.
Dreyfus, D. Denett, F. Flores, D. Sudnow) a França (F. Varela, N. Depraz) e a
Dinamarca (S. Gallagher, D. Zahavi), por exemplo, são alguns dos países que têm
realizado grandes programas de investigação a partir da relação fenomenologia e
ciências cognitivas. No Brasil essa discussão e pesquisa têm começado
principalmente no Laboratório de Fenomenologia Experimental e Cognição, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob a coordenação do Dr. William B.
Gomes. Lá a proposta é desenvolver a chamada “fenomenologia experimental”, com
os objetivos de explorar as contribuições do movimento fenomenológico para o
aprimoramento científico da psicologia; ressaltar a importância da ética
fenomenológica para a pesquisa; utilizar recursos da tradição fenomenológica
para o desenvolvimento da psicologia experimental; promover o diálogo entre
fenomenologia e psicologia da cognição; desenvolver técnicas e procedimentos
para análise de dados qualitativos e, por fim, explorar possibilidades
combinatórias entre dados qualitativos e quantitativos.
Assim é desafiadora a temática,
porque como visto, ela tem apontado para um território fértil para pesquisas,
estudos e para a formação do psicólogo. No essencial, trata-se de defender que
há grandes possibilidades de pesquisa e resultados proporcionados pela
fenomenologia que constituem evidência relevante em discussões internas a
psicologia cognitiva, como também há resultados obtidos pela psicologia
cognitiva que têm valor no horizonte da fenomenologia. Quer seja a
Naturalização da Fenomenologia e a “Fenomenologização” da Psicologia Cognitiva.
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